sábado, 26 de janeiro de 2008

Srtª Mª Flor

“Desde pequeno tive que interromper minha educação para ir à escola”.
Bernard Shaw (1856-1950) escritor irlandês

Srtª Mª Flor nasceu sem adornos, a mãe (que lhe deu chão seguro) em Tapes.
No jardim do casinholo, árvores frutuosas.
No quintal, sua combatente mãe lavava roupas - plantava alface e regava margaridas.
Pelos seus tetos, galinhas negras sem dentes andavam o dia todo.
De noite a mãe guardava uma pistola por baixo do travesseiro para garantir segurança a Florzinha e para protegê-la dos estorvos da vida.
E no portão da rua, a placa: ‘Ave!’
Tempos inclementes.

A vida (de jeito nenhum) não lhes assentava bem.
Andavam pelo esquecimento, olhando as estrelas pela janelinha de uma carruagem de ninguém.
Cercadas de um gelo negro e cobertas de solidão, viviam em pena.
Deram-se muito mal na cidade...
Enfim, o aborrecimento dos fatos derrotou suas ilusões.

Cingidas por uma poeira celeste, enfrentaram (pelo caminho) um tanto de complicações - entretanto chegaram salvas.

Srtª Mª Flor, à margem do tempo e em outro mundo -
ouvia bandas de música de contra-almirantes-do-ar.
A natureza e a qualidade de seus espíritos desagradavam.
Abrigava-se das chuvas tristes com um parasol e dos dias férvidos com um negro paragua.
Acreditava ser malsão viver.
Andava todo o tempo com uma pequena porção de café com gotas de cristal,
porventura intentassem qualquer má ação.
Deglutia lagartos, jacarés nunca.
Ao seu lado, viu algumas pessoas cantarem.
Ela jamais cantava, nunca estava feliz.
As contrariedades e as emboscadas não malbarataram a formidanda fraqueza de sua pessoalidade.
Deu-se aos estudos.
Em cada película vista, invejava todas as vidas e todos os lugares.
Em suas muitas vidas jamais engoliu um golo de álcool nem fumou um uno cigarro.
Não gostava de gulodices.
Estabeleceu uma vida paralela e diversas diagonais.
Vivia na perpendicular.
Era enjoada e nojenta.
Causa: medo de tudo.
Não achava acomodamento dentro do próprio corpo.
Nem conseguia perceber as diferenças entre a beleza, a graça – a vida e o encanto.
O coração não dava mais pulos.
Para recrear a vida, variava seus momentos de ócios -
dentro de um trajo mortuário e em absoluta quietude velava por um pesar carregado e grave.
Sua palidez brilhante, seu aspeto de arquimilionária – seu cabelo metálico com a faca cortado;
seu perfil de corvo e uma mácula na mão esquerda (singulares)
mas não delatavam o que sobrevinha interiormente.

Um fato precioso aconteceu: a sorte lhe sortiu com dúzias de dinheiros.
Comprou uma casinhola tingida de barro branco, de oito câmaras -
um compartimento de despensa e um repartimento de serviço.
Na sala de frente, aos pedaços caindo – cadeiras de ferro e um ventilador elétrico.
Por cima, de uma mesinha cúbica (jamais posta) um bule de estanho - fracamente azulado,
com amapolas e flores de abacate da serra - murchas.
Ali, comeria (em noites agradáveis) seus ovos de mariposa,
seus peixinhos de ouro e seus pudins de desquite.
Era todo seu reinado.

Saía-se bem (porém a moléstia da vida vadia seguiu).

O panorama era complicado.

A fronte mudada e rebentada: estragos dos tempos maus, estrupícios e sinucas da vida -
que esqueceu dando a alma e exorcismando em escritos.
Deus graciosamente mimoseou-lhe com a possibilidade de desculpar a vida.
E graças à sinceridade, a singeleza (a sobriedade) e a todos se pôs a salvo da malvadez.

Assuntos seus (organizados como segredo de Estado)
posteriormente foram dados como notícia em primeira mão...
Que antipatia!

Desempregada pública, graças à desordem social (aos envilecidos e aos maus)
desejava a vida restabelecer.
Seria uma porta para seus abacaxis.
Do que mais precisava?
Para que mais querer da vida?
Não entregava os pontos nem se dava por vencida.
Sem demora estaria na meã madureza.
E a vida seguia rápida.

Por ora aguarda...
Comprou um bom aprovisionamento de cigarros (dos mais baratos e ordinários) e rapé.

Ao menos o pensamento era desacompanhado (leve) e unicamente seu.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Srtª Chika

'No corra, esperamos por ti. Anuncio de la Agencia Funeraria - Colombia'
- Que Deus a tenha em seu Inviolável Reino!
Srta. Chika negou-se a entregar as chaves da necrópole e a morte precisou aguardar sentada duas semanas, ela cerzir sua mortalha - de linho bordado e engolada.
De sapatos argênteos foi sepultada por debaixo de um aguaceiro.
Os enlutados prepararam para seu velatório uma ceia de gala, uma recepção consagradora com bandeiras brancas e quermesse com orquestra.

Srta. Chika adentro portava pedras que não haviam sido abrilhantadas.
As abstenções - as deficiências de gentilezas, as explosões e as volubilidades de humor enfureciam-na sempre.
Neta de uma latifundiária opulenta, nunca compartiu de versões maldizentes e malintencionadas.
Para que a levassem a sério, entretia-se fazendo chalaça até mesmo em ocasiões não propícias.
E sem artifícios, sempre chegava para ir embora.
Tinha conseguido a palma.

Os seguidos governos nada realizaram...
Então, no dia dos defuntos - Srta. Chika embolsou um livro na gabardina, tomou a valise e o ar insensível do anoitecer bateu-lhe por inteiro.
Acumulou parco dinheiro e raras virtudes.
Fez seus fundos à força e resolveu sua vida.

A bonança tinha adentrado sua casa sagrada.
Srta. Chika era de uma sorte cobiçada.
A vila nova, na mais notável cidade - tinha um clima de festejo.
No centro daquele mundo estava a sua casa, reconhecida pela fragrância das flores de mamoeiro e de manjericão em botões.
No quintalzinho que sempre estava em sol, galinhas amarelas e nutridas.
Com a fresca da tarde, depois que dormia a sesta numa cama de lona em um repartimento qualquer - lia até ser distraída pelo som das festividades noturnas.
Enchia de pães açucarados o aborrecimento das horas mortas e o vazio.
Habituou-se aos desconsolos e aos temporais da vida, e os encarava com facilidade.
Com seus contados rendimentos de arquiteta juramentada seguia vivendo em Riachuelo dos Porcos.
O dinheiro da feira dava para só um dia.
O mundo tornava-se curto e descansado.
Comedir a inveja dava-lhe muito trabalho, então não o fazia.
Era conhecida pela sua desonradez e maldade.
Sem medalha de excelência e sem referências, não era dona de nada e por pouco também que não era nada.
Sua dificuldade com a existência era insolúvel e seus textos com juízo pouco, mas a singeleza reinava.

Quando se afligiu pela sua sanidade iluminada pelo diabo, Deus não a chamou.
Então impôs a si própria algumas incumbências:
Não saía de casa sozinha depois das seis da tarde, renunciou de seus dias desprezíveis e inventou uma cirurgia no pensamento.
E permaneceu lúcida até ficar muito velha.

Ardeu em fogo numa inesperada paixão por um aviador alemão e não podia suportar as ânsias desenfreadas de estar com ele a toda hora.
Nem se recordava de ninguém mais adorável.
Mais que o compreensível amor sensual, sentia pelo estrangeiro uma admiração assombrosa pela sua idiossincrasia em frente à contrariedade.
Foi um grande fracasso, uma grandiosa frustração.
Quando sofreu uma pane na cabeça e ficou louca de pedra e sem alma.
Andava com as lágrimas entaladas na garganta e o espírito à deriva, em noites de espantosas tempestades - largada, nas vias mortas - e sem escudo.
Bancava a tonta e burlava ilusões.
Com os olhos ásperos e gelados - sua vida se ausentava e com um bufar de dragão, destruía-se pouco a pouco em meio a doces soluços naqueles paradeiros sem Deus e sem resolução.
Era levada ao sabor dos quatro ventos e má vida gozava.
Estava nem num nem noutro mundo, estava três passos atrás.
Não queria saber de nada com nada, nem sabia o que fazer dela mesma.
Queria era ficar afogada na farra toda a vida.
Percebia crescer dentro dela o coração asfixiado de pavor e sentia o sopro da morte.
Seu perverso e pobre estado de alma de cavalo impressionava e tinha muitas das coisas que se necessita para morrer.
Tudo espatifado.
Muitos se enredaram para sempre com a própria sina.

As delícias dos os quintos dos infernos e os cruzes do firmamento.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Srtª Josá

A Srtª Josá fez quarenta anos em fevereiro de novecentos e sessenta e quatro.
Isto não tinha importância nem uma.
Quando os completou nada mudou e seus olhos sombrios renunciaram a tudo.
Acordava, lavava-se - tragava um copo de água e uma xícara de café com frutas apodrecidas;
Arrumava a casa, fazia sua comida e principiava seu trabalho que só era sustado com o termo do dia ou a qualquer minuto, quando - então, chorava;
Unicamente ausentava-se para ir ao cinema e de preferência desacompanhada para não ter com quem discutir a fita.
A cada quinze dias, no final da semana - viajava para algum sítio;
Sua vida era um tédio.
Por certo a Srtª Josá sofria dos nervos.
Todos seus ascendentes eram acometidos por esta moléstia.
Era inevitável.
Descendia de linhagens desarranjadas e fracas.
E ali cresceu.
Era inteiramente descontente e irritável.
E já começava a concluir que a vida era mesmo assim:
Chata, medíocre e estúpida - infligidora de padecimentos e suplícios;
Vivia em uma casa escarlate exageradamente bela e suja num povoado qualquer da cidade.
Em outro momento... em lugar algum.
E imaginava que tudo podia ser diferente - pior, por exemplo;
Em outro instante desejava nada.
Pobre da Srtª Josá!
Havia desejado outra existência mais bacana.
Nada realizara, já não mais amava e ansiava por ir-se embora;
Acabava-se sua energia e sentia não poder a vida suportar por muito tempo.
Assim eram seus sentimentos: simples, como a mágoa;
Quem sabe um pouco mais de paciência?
Qual seria o remédio e com quem contar?
De qualquer forma sentia-se em condições melhores que em tempo anterior.
Era desnecessário desvanecer.
... Um amor compartilhado... uma vida ditosa...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Srtª Agnes

Acolheu a morte por baixo de uma látea escuridão em 883.
Morreu de tristeza.
Nem a resplandecência de seus preitos mortuários fez com que sua partida não fosse olvidada.
Seu rosto estava invisível.
Totalmente.
Vestia um vestido de cem anos com forro de seda alaranjada e pompons que ia até os pés, e de fazenda veludosa debruada com pérolas pretas por dedos finos e mortos como os da Srtª Agnes.

A instrução era luxo e regalia em seu país.
A natureza, as nações e os seres humanos (habitualmente complicados) inquietos se irritavam...
Batalha geral e orações corânicas nas manhãs.
Nem um sítio da Terra parecia protegido.
O mundo inteiro era o reinado da violência, do medo e do pavor.
Onde se achavam as carabinas e as imergentes plataformas intercontinentais de mísseis?
Srtª Agnes não pertencia mais ao alvor da nívea América.

Botou seus ovos de andorinha e se encarapitou no telhado.
Srtª Agnes teve a maternidade ferida, teve um menino sem o pai.
Guardava finas mágoas.

Nada aconteceu tendo o dia como fundo.
Embaixo do céu mau – em uma festa dos cadáveres, Srtª Agnes conheceu um alemão - aplicado, capaz de empenho sem-fim, capaz de tudo –
de traços mais ou menos doces e muito simples e a desesperação tudo cobriu.
A obstinação e o descaminhar de Srtª Agnes eram óbvios.
Avariada e sem adagas, no meio das noites ameaçadoras - roubava cerejas.
Dependente do intrometimento divinal, aos prantos rezava.
Era fácil pressupor que estava tantã.
Havia nem uma rosa em sua vítrea voz.
Mostrava fadiga e depressão nervosa, e uma grande falta de benquerença.
Sofria uma alegria afetada ao lado da idiotia e do cretinismo.
Tinha no rosto um olhar de preocupação, nomeando o fim adjacente.
Em tempo nem um, os planos de uma defunta cheiram bem.
Ela estava muito morta.
Expirante, esborrachou-se.
Olhares opalinos pervagavam seu cogote e desenhavam-na como delicadamente desalumiada, uma à-toa.
Quando a noite vinha, a morte corria atrás dela.
Trazia a noite gelada consigo.
No esclarecer, toda coberta de moscas e o mal-estar.
¡Vida interceptada!

Subia um olor ruim do fundo dos tempos.

Tinha sempre necessidade das palavras confeitadas para iludir.
Era um jeito para o realismo cessar,
um meio que substituía a vida sem cintilação de Srtª Agnes – vivida na pasmaceira.

Não triscada, Srtª Agnes não mais suportava ser governada por larvas estrambelhadas, encardidas e risonhas.
Resolveu tranqüilizar-se para entender a situação de jeito claro.
Tomou uma pequena vasilha de café com água de flor de laranjeira e os traços se adoçaram.
O dia se fez, um forte vento assoprou e afastou o mau tempo e com o segundo sol –
a situação amainou.

Srtª Agnes falava num bom e elegante alemão a respeito da caverna da qual saiu.
Sabia das desgraças e dos riscos por que passara.

A bestice das interpelações causava desarranjo,
a ignorância de rudimentos contra-racismo embaraçava, a inexistência de civilidade -
de melindre e de suavidade no trato traziam desconcertos e as palavras deselegantes e o jeito irascível espantavam a todos.
Incessantes, eram importunadores – Srtª Agnes não entendia.

Volveu ao seu claustro em Munique.

A luz do céu, tapado de sorte – entrou.
Debaixo da clareação da lua dilatada, a brevidade rumo à vida -
a graça dos pretensiosos, anacarados risos felizes.
Transmigrava de um caminho entre as dormideiras para as roças de aveia.
Srtª Agnes rasteava aliado de grande influição e leal ao seu jeito.

A revolução e o combate foram imperiosos e tiveram sobretudo como fim o seu livramento.
Deu-se a possibilidade de ser.
De volta seu salvo-conduto, era dona do reino.
A fumaça de tabaco arábico não saía mais de sua boca.
Ao lado da fineza mortuária - câmbios reformatórios e o conseguimento.
Enchia os balaios de berinjelas e comia antes de a lua se levantar.
Seu corpo, Srtª Agnes queria leve.

Com os mesmos pensamentos, Srtª Agnes era outra.
De pacto e em antinomia com ela mesma.
Em seu desajeitamento, em seu comum resplendor e em um silêncio que ainda ouvia - esquadrinhava idéia nenhuma.
Mantinha as assombrações no claro e o prato cheio de doces de mel e desgraças.
Nada fazia, porém sempre ocupada.
Temia a luz e, muito pouco o inferno.

Dentro dela repousava a defunta que há muito tempo era.
E Srtª Agnes estava em si, quase inteira.

Banqueira egípcia em um território marselhês,
causou pasmo o fato de ter chegado até ali sem escafandro.
Certa de ser a mais experta, falsa – notável e perfumosa,
fundou um pequeno nosocômio.
Educada no Brasil, não criam que se atreveria e ganhasse.
Da janela de uma casa com iluminuras fosforescentes, Srtª Agnes olhava - ao pé,
com seus óculos crivados de rubis.

Céu e mar azuis, o sol caía a prumo.
Descabelada e desenfeitada,
Srtª Agnes simplesmente malversava seu tempo tratando de veleidades.

E no final, mas bem no final – um vago bem-estar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Srtª Mariola

Armada de uma foice, uma múmia segou sua vida.
Deram-lhe um apoio débil, logo foi espezinhada.
Onde cresceu, as garantias eram bem fracas e sentada nos cantos escuros -
ela só vivia de ressentimentos.
Escreveu-se na Escola Fantástica na qual recebeu uma formação miserável, desenganou-se e teve mau sucesso.

A ocultas, em algum tempo passado – em pestilentos bairros de latas, endemoninhava-se.
A vida afirmava a amargura, passava como uma sombra nas luzes e pesava.
As danações não tardaram a vir e Srtª Mariola degradada junto a vampiros invisíveis de quinto gabarito, causava enojamento.
Começou a deperecer.
Intelecção frouxa, ela não achou coisa alguma benquerente nem deixava nada intato com sua podridão.
Não tinha nem o mais miserando apreço por si própria.
Quis o que lhe era lesivo e perdeu vantagem.
Srtª Mariola tinha pouca essência e um riso amarelado.
Enfim, havia possibilidade de morte.

A paixão a empuxou a causar mal.
Aluada e impertinente, arranhava a realidade.
Coisa alguma ficou junto ao real e com facilidade se rompeu.
Depois de diversas mobilizações inúteis, anímico desmoronamento e dias de penitência.
Era pessoa de vontade fraca demais para o mundo - era sem importância e não tinha fortaleza de ânimo, diziam-lhe.
E de verdade, de sacrificar tudo era capaz.
Escolheu transformar tudo em sordidez e se idiotizou.
Tornou-se mais grave e notável sua depressão.
Transtornava a sua vida e se tornava maior seu sofrimento.
A partir de então Srtª Mariola não mais achava paz em lugar algum.
Conheceu bem os mágicos sabores da destruição.
Pobre-diaba!
Teria sido melhor para ela que a atirassem ao mar.
Veio o mundo abaixo.

Num futuro irrealizável, em uma atmosfera bastante suave e sem ruído -
ela preferia o quietismo pessimista.
Achava-se em um lugar em que ela era possível e no qual podia acontecer e ser.
Ao espírito proporcionava um pouco de bem-estar.
Na inauguração do inverno, pra que a vida prospere e pra uma felicidade genuína - sai da sepultura!

Desimpedida, não precisou de pano de fundo para que não fosse visto seu negligente amor sem conseqüência.
Foi muito alegre o seu jantar de noivado.
Srtª Mariola deixou o pequeno barco correr,
estabeleceu uma rota e o tocou para frente.

Desembaraçada, com o coração pleno de paz podre –
apenas se aborrecia de morte e se entediava.
Ela não era coisa nem uma nem queria nem uma coisa.
Só a metade da terra.
Imortalmente contente e implacável, flanava em escondedouros.
Morava muito acima do mar e de todos os humanos,
onde liberdade de pensamento era imprescindível.
Srtª Mariola desdenhava todos e se enraivava.
Sua natureza esquiva não suportava a vida e tinha sentimentos sérios de desprezo,
e um rancor por boas e sérias habilidades inatas.
Vivia de corpo e alma contra um mundo de enredo falso e patético.
Não tinha certeza de a que lugar ir com sua forma usual de ser,
suas falhas e seus feitos nem tinha palavras que exprimissem seus incômodos e infortúnios.
Sabia das desgraças e dos riscos por que passara.
Seus sonhos vazavam.
Sua presença era mais ou menos saudável.
Tão estrambótica, tinha dois fracos.
Tratava de reservar sua irrealidade sugando a vida de quem lhe conferia atenção.

Ainda existia os sérios impulsos alheios à razão e uma tempestade em seu ar.
Tinham dias em que Srtª Mariola era tomada por um desgosto mais sombroso do que a mais maldita tristeza.
Mas ainda trazia consigo as bênçãos e os encantos finos e raros da vida.
Mentalidade limpa, melificou-se.

No fim da vida, sol fraco -
ancorou o barco e revelou sua desilusão por não ter ganhado o mundo.
Tudo foi sumido em uma grande indolência.
Ela teve agonienta morte causada por duas porções de fel incolor e estricnina.