domingo, 2 de agosto de 2009

Srtª Enilda



21 de outubro

Filha mimosa de Teresa Má,


nasceu em Ancoradouro Sombrio,


virada para a Lua,


e atacada por raiva,


passou a posse definitiva da sua alma...
Aprovada para a Escola Superior de História em Quadrinhos no Riozinho de Lágrimas,
foi forçada a deixar -
em razão de severamente enfermar.
Passaram-se alguns anos,
e ela retornou à cidade -
passando a ter uma vida desregrada e basicamente citadina,
visto que sua cidade se encontrava em ininterrupta urbanização.
Seus costumes eram igualmente urbanos.
A partir de então,
jamais se afastou de sua natalícia terra,
tendo um funcionamento não muito estimado no convício.
[ainda doía tocar nestas rememorações]
Com seu gênio ostentado sempre:
de muitas idéias e opiniões,
dizedora de graças e de desconsoladoras palavras -
frugal,
séria e veraz.
Facilmente irava-se,
contudo floreada pelo espirituoso falar.
Não era boa alma nem era da concórdia.
Não era de nada e também não era de modo nenhum do bem.
Não apresentava floreios ou ornamentos inúteis.
Srta. Enilda era encantada pela natureza.
No fim da historieta era só a sua pobreza e ela.
Assoprava uma aragem doce e um enorme remanso em todas as coisas,
o dia quente entardecia -
quando alumbrada arquitetou a vida cheia de luzerna,
do mesmo jeito que num adeus desalumiado.
Estava bem e vagamente feliz.
Mandava em casa,
embora e no que era seu...
No umbral do gabinete envidraçado,
arlequinadas,
embustes e patranhas desparramados.

Evane Picoli
Out-006

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial