Srtª Janet
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“A verdade nunca é aterrorizante, aterrorizantes somos nós.
As coisas não devem ser vistas de frente, ninguém é tão forte assim, só os que se danam têm força. Do lugar onde se pusera de pé, a vida era muito bonita.
E a dor é que não estamos à altura de nossa perfeição;
E então Ele lhes dá uma superfície de que viver, e lhes dá uma tristeza, Ele sabe que há pessoas que não podem viver com a felicidade que há dentro delas.
É pecado não ter esperança.
Mas que se sabe do que se passa numa pessoa?
Muitas vezes a bondade muito intensa se transborda em maldade.
Não ter esperança é um luxo.
Nós somos as nossas testemunhas.
O dia estava tão bonito que aumentou a sua desgraça.
Por que tentamos ouvir com os ouvidos o que não é som?
Porque as coisas também não são assim tão perigosas e o mundo não acaba amanhã.
Ter esperança é ilógico, pensou animadíssimo, pagando a bebida de todos.
Tinha esquecido completamente de como, de modo geral, as pessoas são estúpidas.
Toda história de uma pessoa é a história de seu fracasso.
Um homem tem por nascença o direito de dormir tranqüilo”. A maçã no escuro, Clarice Lispector
A sua vida toda tivera medo de alma do outro mundo e de um dia cair de podre e de perder o controle sobre si. Caiu e perdeu.
Era mais tola que culpada.
Possuía habilitações, fazia coisa nenhuma.
Tinha o vício do egoísmo em alto grau e um caminho oco.
A vilania macia prevalecia.
Arrodeava à volta de si própria, em uma tontura não de todo desagradável - bambava ao vento.
Embriagada com um ar de contente, mil pensamentos a levavam e perturbavam os seus nervos.
Entrou bem no mais podre da noite. Era a última em sair.
Era feita a sua vontade, mesmo que para seu mal.
Evocava desgraças de toda sorte e se orientava pelo perfume dos incivis.
Pressentia o cheiro malévolo.
Tombou num cremoso silêncio.
A claridade a desnorteava.
Em seguida começou a rolar na vasteza e anos largos de abatimento atroz vieram.
A lua muito alta atravessou a morada das almas dos justos e dos bem-aventurados.
Deixou para abrir a garrafa de vinho numa ocasião posterior e destruiu seu antigo feitio.
Com o passar dos dias as idéias ficaram para trás como fosse abandonando o que provocava mal-estar, o que sobrecarregava o espírito.
Esperançosa, insistia com serenidade.
Fez o que era essencial, fez por onde.
Levaria tempo para assentar-se em uma rotina de vida.
Não estava mais se jogando nas noites, nas ruas... O mais difícil estádio pusera fim.
Reconheceu a estúpida liberdade em que se encontrava e tomou providências.
Uma única atitude e estava salva....
Foi firme, havia que aceitar e crer...
No fundo precisava de si mesma.
Contudo a cabeça voltou a bolhar de tristeza. A desinfelicidade à volta era sem fim nem princípio e a sua falta de alegria se derramava. Mais uma vez sua mente feita em pedaços. Sua depressão à vontade e sua tristeza lançando cintilações trêmulas.
Com mil demônios! Tinha que haver algum Deus para ela.
De novo prisioneira do mundo pregresso.
A mesma lamentação interminável, invariavelmente o mesmo entrecho - que importunava e que a nada levava.
Convinha ter calma para esperar o que tardava. Desejava se ver atendida naquilo que pedia.
Foi atrás de alguma coisa, de qualquer coisa.
Havia algumas jóias no cofre e culpas.
Julgava crudelíssimo o santo todo-poderoso.
Não lhe passava ser entendida. Nem se sagrava em sua dor. Também não tinha dó de si mesma. Tampouco tinha a certeza que caminho significaria caminho de cabras ou caminho de São Tiago. E muito menos tinha assunto.
Novamente o acúmulo de tristezas tirava-lhe a luz.
O caso teria solução, entretanto era preciso dar tempo ao tempo.
Pensava que estava deixando o tempo escapar e o tempo morreu.
Recolheu-se à sua casa incendida para se resguardar da chuva e do medo...
Tendo dentro de si um grande nojo e vão, ela avançava...
Valia-se da escureza para viver.
Ainda mostrava sobriedade diante de tantos obstáculos.
Desenganou-se.
Em estado deprimido da alma, olhava à volta e suspirava.
Neste momento desconfortada desesperava.
O que mais daria força seria a fé... que não tinha. Só tinha de seu a noite e o dia.
Amealhava o que podia, mas carecia de outro agouro e paz.
Determinava o tempo e se esforçava para encontrar uma saída desta situação.
Era uma vida que não a fazia alegre nem bendita e tampouco brilhante.
No sonho, voavam sozinhos, sua gata querida – ela e Deus.
Tinha muita dor e tudo a desgostava.
Apesar de tudo, era bem. Esperaria por milagres.
Arrodeada de vento, ficou sozinha para pensar.
Estava livre do importuno de precisar de ser compreendida.
Houve esperança em que a sorte mudasse... O jogo não virou. E isto era tudo.
Deus queira que recobre a saúde, que transfaça a dor e que voltem atrás para reparar...
Que a vida lhe dê o que ela queira. Alma nova, nova vida – novo alento.
Que arrume a casa, que busque se ajeitar e que chegue a tempo. E que quando menos se espere o melhor venha.
A noite seria de uma grandíssima doçura, a sua paz – total e o tempo acinzentado e chuvoso resolver-se-ia...
Só que o mundo dentro dela não foi restabelecido. Nem a chuva parou. E também não recuperou as forças.
Era docemente tarde, fechou o portão de casa e saiu.
Oh, como tudo era chato.
Que é a vida sem amor?
Maio-Out-008
“A verdade nunca é aterrorizante, aterrorizantes somos nós.As coisas não devem ser vistas de frente, ninguém é tão forte assim, só os que se danam têm força. Do lugar onde se pusera de pé, a vida era muito bonita.
E a dor é que não estamos à altura de nossa perfeição;
E então Ele lhes dá uma superfície de que viver, e lhes dá uma tristeza, Ele sabe que há pessoas que não podem viver com a felicidade que há dentro delas.
É pecado não ter esperança.
Mas que se sabe do que se passa numa pessoa?
Muitas vezes a bondade muito intensa se transborda em maldade.
Não ter esperança é um luxo.
Nós somos as nossas testemunhas.
O dia estava tão bonito que aumentou a sua desgraça.
Por que tentamos ouvir com os ouvidos o que não é som?
Porque as coisas também não são assim tão perigosas e o mundo não acaba amanhã.
Ter esperança é ilógico, pensou animadíssimo, pagando a bebida de todos.
Tinha esquecido completamente de como, de modo geral, as pessoas são estúpidas.
Toda história de uma pessoa é a história de seu fracasso.
Um homem tem por nascença o direito de dormir tranqüilo”. A maçã no escuro, Clarice Lispector
A sua vida toda tivera medo de alma do outro mundo e de um dia cair de podre e de perder o controle sobre si. Caiu e perdeu.
Era mais tola que culpada.
Possuía habilitações, fazia coisa nenhuma.
Tinha o vício do egoísmo em alto grau e um caminho oco.
A vilania macia prevalecia.
Arrodeava à volta de si própria, em uma tontura não de todo desagradável - bambava ao vento.
Embriagada com um ar de contente, mil pensamentos a levavam e perturbavam os seus nervos.
Entrou bem no mais podre da noite. Era a última em sair.
Era feita a sua vontade, mesmo que para seu mal.
Evocava desgraças de toda sorte e se orientava pelo perfume dos incivis.
Pressentia o cheiro malévolo.
Tombou num cremoso silêncio.
A claridade a desnorteava.
Em seguida começou a rolar na vasteza e anos largos de abatimento atroz vieram.
A lua muito alta atravessou a morada das almas dos justos e dos bem-aventurados.
Deixou para abrir a garrafa de vinho numa ocasião posterior e destruiu seu antigo feitio.
Com o passar dos dias as idéias ficaram para trás como fosse abandonando o que provocava mal-estar, o que sobrecarregava o espírito.
Esperançosa, insistia com serenidade.
Fez o que era essencial, fez por onde.
Levaria tempo para assentar-se em uma rotina de vida.
Não estava mais se jogando nas noites, nas ruas... O mais difícil estádio pusera fim.
Reconheceu a estúpida liberdade em que se encontrava e tomou providências.
Uma única atitude e estava salva....
Foi firme, havia que aceitar e crer...
No fundo precisava de si mesma.
Contudo a cabeça voltou a bolhar de tristeza. A desinfelicidade à volta era sem fim nem princípio e a sua falta de alegria se derramava. Mais uma vez sua mente feita em pedaços. Sua depressão à vontade e sua tristeza lançando cintilações trêmulas.
Com mil demônios! Tinha que haver algum Deus para ela.
De novo prisioneira do mundo pregresso.
A mesma lamentação interminável, invariavelmente o mesmo entrecho - que importunava e que a nada levava.
Convinha ter calma para esperar o que tardava. Desejava se ver atendida naquilo que pedia.
Foi atrás de alguma coisa, de qualquer coisa.
Havia algumas jóias no cofre e culpas.
Julgava crudelíssimo o santo todo-poderoso.
Não lhe passava ser entendida. Nem se sagrava em sua dor. Também não tinha dó de si mesma. Tampouco tinha a certeza que caminho significaria caminho de cabras ou caminho de São Tiago. E muito menos tinha assunto.
Novamente o acúmulo de tristezas tirava-lhe a luz.
O caso teria solução, entretanto era preciso dar tempo ao tempo.
Pensava que estava deixando o tempo escapar e o tempo morreu.
Recolheu-se à sua casa incendida para se resguardar da chuva e do medo...
Tendo dentro de si um grande nojo e vão, ela avançava...
Valia-se da escureza para viver.
Ainda mostrava sobriedade diante de tantos obstáculos.
Desenganou-se.
Em estado deprimido da alma, olhava à volta e suspirava.
Neste momento desconfortada desesperava.
O que mais daria força seria a fé... que não tinha. Só tinha de seu a noite e o dia.
Amealhava o que podia, mas carecia de outro agouro e paz.
Determinava o tempo e se esforçava para encontrar uma saída desta situação.
Era uma vida que não a fazia alegre nem bendita e tampouco brilhante.
No sonho, voavam sozinhos, sua gata querida – ela e Deus.
Tinha muita dor e tudo a desgostava.
Apesar de tudo, era bem. Esperaria por milagres.
Arrodeada de vento, ficou sozinha para pensar.
Estava livre do importuno de precisar de ser compreendida.
Houve esperança em que a sorte mudasse... O jogo não virou. E isto era tudo.
Deus queira que recobre a saúde, que transfaça a dor e que voltem atrás para reparar...
Que a vida lhe dê o que ela queira. Alma nova, nova vida – novo alento.
Que arrume a casa, que busque se ajeitar e que chegue a tempo. E que quando menos se espere o melhor venha.
A noite seria de uma grandíssima doçura, a sua paz – total e o tempo acinzentado e chuvoso resolver-se-ia...
Só que o mundo dentro dela não foi restabelecido. Nem a chuva parou. E também não recuperou as forças.
Era docemente tarde, fechou o portão de casa e saiu.
Oh, como tudo era chato.
Que é a vida sem amor?
Maio-Out-008

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