Srtª Josá
A Srtª Josá fez quarenta anos em fevereiro de novecentos e sessenta e quatro.
Isto não tinha importância nem uma.
Quando os completou nada mudou e seus olhos sombrios renunciaram a tudo.
Acordava, lavava-se - tragava um copo de água e uma xícara de café com frutas apodrecidas;
Arrumava a casa, fazia sua comida e principiava seu trabalho que só era sustado com o termo do dia ou a qualquer minuto, quando - então, chorava;
Unicamente ausentava-se para ir ao cinema e de preferência desacompanhada para não ter com quem discutir a fita.
A cada quinze dias, no final da semana - viajava para algum sítio;
Sua vida era um tédio.
Por certo a Srtª Josá sofria dos nervos.
Todos seus ascendentes eram acometidos por esta moléstia.
Era inevitável.
Descendia de linhagens desarranjadas e fracas.
E ali cresceu.
Era inteiramente descontente e irritável.
E já começava a concluir que a vida era mesmo assim:
Chata, medíocre e estúpida - infligidora de padecimentos e suplícios;
Vivia em uma casa escarlate exageradamente bela e suja num povoado qualquer da cidade.
Em outro momento... em lugar algum.
E imaginava que tudo podia ser diferente - pior, por exemplo;
Em outro instante desejava nada.
Pobre da Srtª Josá!
Havia desejado outra existência mais bacana.
Nada realizara, já não mais amava e ansiava por ir-se embora;
Acabava-se sua energia e sentia não poder a vida suportar por muito tempo.
Assim eram seus sentimentos: simples, como a mágoa;
Quem sabe um pouco mais de paciência?
Qual seria o remédio e com quem contar?
De qualquer forma sentia-se em condições melhores que em tempo anterior.
Era desnecessário desvanecer.
... Um amor compartilhado... uma vida ditosa...
Isto não tinha importância nem uma.
Quando os completou nada mudou e seus olhos sombrios renunciaram a tudo.
Acordava, lavava-se - tragava um copo de água e uma xícara de café com frutas apodrecidas;
Arrumava a casa, fazia sua comida e principiava seu trabalho que só era sustado com o termo do dia ou a qualquer minuto, quando - então, chorava;
Unicamente ausentava-se para ir ao cinema e de preferência desacompanhada para não ter com quem discutir a fita.
A cada quinze dias, no final da semana - viajava para algum sítio;
Sua vida era um tédio.
Por certo a Srtª Josá sofria dos nervos.
Todos seus ascendentes eram acometidos por esta moléstia.
Era inevitável.
Descendia de linhagens desarranjadas e fracas.
E ali cresceu.
Era inteiramente descontente e irritável.
E já começava a concluir que a vida era mesmo assim:
Chata, medíocre e estúpida - infligidora de padecimentos e suplícios;
Vivia em uma casa escarlate exageradamente bela e suja num povoado qualquer da cidade.
Em outro momento... em lugar algum.
E imaginava que tudo podia ser diferente - pior, por exemplo;
Em outro instante desejava nada.
Pobre da Srtª Josá!
Havia desejado outra existência mais bacana.
Nada realizara, já não mais amava e ansiava por ir-se embora;
Acabava-se sua energia e sentia não poder a vida suportar por muito tempo.
Assim eram seus sentimentos: simples, como a mágoa;
Quem sabe um pouco mais de paciência?
Qual seria o remédio e com quem contar?
De qualquer forma sentia-se em condições melhores que em tempo anterior.
Era desnecessário desvanecer.
... Um amor compartilhado... uma vida ditosa...

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